Dilemas da Inovação: desenvolver internamente ou adquirir externamente?

Ricardo EinselbergNa área de tecnologia da informação esta dúvida é conhecida como “make or buy dilemma” e já foi amplamente discutida nos ambientes acadêmicos e empresariais. O mesmo tipo de dilema aparece quando pensamos no desenvolvimento de inovações. Vale a pena desenvolver dentro da empresa ou ficar atento às oportunidades do mercado?

O investimento em pesquisa interna, seja básica ou aplicada, é uma aposta que pode, ou não, gerar resultados para a empresa que utiliza essa estratégia. A indústria farmacêutica é o exemplo mais comum. Para reduzir riscos e perdas é comum a utilização de consórcios, projetos compartilhados e investimentos cruzados. O funil de sucesso no caso da indústria farmacêutica aponta para um investimento da ordem das centenas de milhões de dólares, chegando até alguns bilhões de dólares, para cada nova droga lançada com sucesso.

As grandes empresas, além de apostarem no desenvolvimento interno, também estão constantemente monitorando e adquirindo empresas menores que desenvolveram alguma nova tecnologia. Os modelos não são necessariamente excludentes, mas requerem capital para sua realização.

O “corporate venturing” é uma alternativa que mescla um pouco dessas abordagens e, apesar de ainda concentrado em grandes empresas, pode sim ser aplicado por empresas menores. A estratégia é que as empresas fiquem atentas a projetos de start-ups que estejam ligados ao seu negócio e funcionem como investidores anjo e aceleradoras para estes projetos. Ao investir em ideias ainda embrionárias, mas com potencial, as empresas podem minimizar o investimento e conseguir agregar inovações aos seus portfólios de produtos e serviços.

As start-ups investidas ficam livres, recebendo suporte, para inovarem e proporem novas soluções para problemas enfrentados pela sua empresa investidora ou pelos seus clientes. Se o resultado aparecer, e tiverem sucesso, elas podem então ser incorporadas pelas suas “angel companies”.

É importante estar atento aos eventos de empreendedorismo da sua área de atuação e também aproximar-se de alguma rede ou instituição que promova e incentive o aparecimento de start-ups.

O ISE Business School criou um centro de inovação e empreendedorismo justamente com esse intuito. O EMPRESE procura fomentar o investimento em ideias empreendedoras, ao mesmo tempo oferecendo desenvolvimento humano e profissional tanto aos empreendedores como aos investidores.

Ricardo Engelbert é professor do Departamento de Empreendedorismo do ISE Business School

Deixe uma resposta