Você anda cultivando sua Accountability?

ricardo

Professor Ricardo Engelbert

Quando perguntamos a líderes de grandes empresas sobre quais as habilidades que eles gostariam de desenvolver nos seus funcionários, temos cada vez mais escutado a resposta: a “accountability”.

Essa expressão, longe do modismo comum no mundo corporativo em adotar anglicismos, descreve uma característica muito deseja pelas organizações, mas que é impossível de ser explicada usando uma só palavra em bom português.
Um dicionário indicará que a tradução de “accountability” é responsabilidade. Mas não é isso que “accountability” significa. Responsabilidade é algo que entregamos para as pessoas com quem trabalhamos. É como funcionam a hierarquia e os processos organizacionais. Você recebe a responsabilidade por uma área ou um processo, e até por um resultado. Por exemplo, quando você atribui a responsabilidade por cumprir prazos junto aos clientes a um dos membros do seu time. Está claro que essa é a tarefa pela qual ele será responsável. Se os prazos não forem cumpridos ele vai ser identificado como o culpado por isso, ou poderá culpar algo ou alguém por não ter cumprido com aqueles prazos. A responsabilidade permanece com ele, mas isso não garante o resultado. O modo tradicional de lidarmos com esse problema é colocarmos controles, punições e incentivos para garantir que os resultados sejam alcançados. Assim, a responsabilidade serve para amarrar a pessoa ao processo, aos ônus e aos bônus, mas por si só não garante que a pessoa esteja totalmente comprometida. É a diferença entre “fiz o possível” e “fiz o meu melhor”.
“Accountability” não é algo que se dê para uma pessoa, como é o caso da responsabilidade, ela envolve uma opção pessoal de ir além das circunstâncias de entorno e, sentindo-se dono do processo, atingir os resultados desejados. Algo como “tornar da minha conta” ou “tomar para si a responsabilidade”. O conceito de “accountability” busca que as pessoas tomem decisões sobre o que devem fazer para obter os resultados e implementem estas decisões de forma natural e espontânea, como se fossem não só os responsáveis, mas os donos daqueles resultados.”Accountability” é uma característica pessoal e intrínseca, mas que depende de condições do ambiente para que se desenvolva. Líderes e organizações precisam despertar e cultivar essa característica em seus colaboradores.

Obter esse nível de comprometimentos não é fácil. Os métodos tradicionais de controle e reconhecimento acabam por mercantilizar o relacionamento entre a empresa e seus funcionários. Controlamos e motivamos os trabalhadores da economia da informação de forma não muito diferente como faziam Taylor, Fayol, Ford e Maslow.

No lugar de esperar que as pessoas se tornem “accountable”, devemos investir em políticas, controles, estruturas, processos e estilos de liderança que propiciem essa transformação. É justamente o que esperamos fazer nesse novo programa lançado pelo ISE Business School.

Ricardo Engelbert é professor do Departamento de Direção de Operações do ISE Business School.

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